eu

me dá um tempo?

Tempo…
preciso do meu tempo.
Sou o tipo de pessoa que precisa de um tempo pra si, pra só então sentir que esta viva. Preciso de distância, caos, poluição, desordem, violência, velocidade, perturbação, dores, ruas sujas e fedorentas, lugares podres e som alto. Preciso de trânsito caótico e ruas atrolhadas de pessoas, preciso de multidão. Preciso saber que tudo gira sem parar a minha volta, mas que eu posso parar quando eu quiser, porque o mundo não gira em torno de mim. Essa sensação de eu girar em torno do mundo me acalma. O caos e a desordem me acalmam. Não sei viver de outro jeito, não sei viver sem isso. Não dá pra ser eu, sem isso. Vivo a base de tudo que me permite a auto-destruicao. Alcool, cigarros, riscos, velocidade, violência, desordem e tudo aquilo que minha mãe chama de coisas-com-energia-negativa. É, esses são meus combustíveis. Nasci assim, cresci assim e vou morrer assim. Não por querer, mas por eu ser isso. Por eu mesma, ser o caos. Sou viciada em mim mesma, admito. E agora, mais do que nunca, chegou a hora de ter o meu tempo. Um tempo só meu. Eu e eu mesma com um bando de desconhecidos que nada sabem de mim. Preciso daquela liberdade que eu perco quando vivo em lugares pequenos e claustrofobicos, cheios de conhecidos por todos os lados. Preciso sair do Show de Thuman e ir ali viver. Quero um tempo pra ser eu mesma sem que tenha que dar alguma satisfacao a alguem, um tempo sem julgamentos. Respirar aquele ar pesado de tanta poluicao e tomar banho de chuva acida no final da tarde, ficar horas no meio do transito tentando chegar a algum lugar que eu sequer faco ideia de onde fica e que lugar é, por gostar de sair sem rumo, sem saber onde estou indo. Quero aquelas caminhadas de maos dadas comigo mesma pelas ruas, ouvindo aquelas musicas que sao so minhas e de mais ninguem. Me distrair e quase ser atropelada ao atravessar a rua, por estar preocupada pensando em mim. Quero sumir. Se pudesse, sumiria durante anos, e talvez, nunca mais voltasse. Simplesmente sairia por ai a procura de mim mesma, sem avisar ninguem. Sei onde iria, por saber exatamente onde me encontrar.  Sei meu endereco completo e sei que nao é esse aqui, esse é o fake. Muita gente vive num endereco fake e se sente bem assim, essa gente que vive acomodada e tudo ta sempre bem ou sempre mal, essa gente que acorda de bom humor de manha, ou que vive reclamando de absolutamente tudo nas 24h do dia. Mas nao eu, nao consigo ser assim. E como sei meu endereco, vou ali me visitar. Em breve, vou me mudar pra dentro de mim mesma e ser completa. Primeiro eu, enquanto eu nao for completa, nao vou pensar em ninguem, querer ser de alguem nem nada. Tentei ser de outras pessoas, mas nunca consegui ser inteira de ninguem, sempre faltou um pouco de mim e eu tô indo atras desse pouco que ainda falta, porque demora para as pessoas se completarem. Um dia eu falei que so amo quem dorme comigo todas as noites de maos dadas, e me chamaram de egoista e egocentrica. Porra do caralho. Eu nao entendo essa gente que diz isso e consegue dizer “eu te amo” com tanta conviccao. Essa gente mal sabe quem é e vem me chamar de egoista. E equando eu falo que preciso do meu tempo, elas vem com mil pedras nas maos, me atirando todas de uma so vez, me colocando na parede com o dedo na minha cara dizendo que nao penso nas pessoas que me amam e eu deixo de lado em todas as vezes que eu resolvo desaparecer. É, elas estao certas nisso. Eu nao penso nas pessoas que eu deixo de lado e eu sempre desapareco, do nada. Quando olhar pro lado e eu nao estiver ali, nao se assuste porque é normal, estou apenas sendo eu mesma e desaparecendo. Alguns gostam de chamar isso de “fuga”, eu chamo de “encontro”. Só eu sei o que se passa comigo durante esse periodo e digo pra voces, é a melhor coisa do mundo. Por isso, eu vou ali no caos, na poluicao, na violencia. Fumar, trepar e beber, me encher de energia negativa, ser eu mesma, livre e feliz, num encontro comigo. Mas calma, eu ainda volto… não mais a mesma, mas volto. Só dessa vez, eu prometo voltar. Na próxima, eu fico. Eu e minhas outras pessoas, as que sao iguais a mim e as pouquissimas que vou levar comigo.

E a prova de que eu realmente me importo pra caralho comigo mesma? É só contar quantas vezes repeti a palavra “eu” no texto.

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