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para o meu antônio, que não se chama antônio.

“fiquei em suspenso. ele poderia responder, poderia não responder, poderia me odiar para sempre, poderia me mandar embora, me mandar sumir, poderia me dar a mão, me dizer “vem comigo”, mas eu não sabia, não sabia o que poderia acontecer.
então ele respondeu. quando vi seu nome, meu coração acelerou, votou a bater, meu coração morto e inchado e roxo recomeçou a bater, não pude acreditar, meu antônio tinha respondido, e ele queria ser meu amigo, e ele estava bem, e estava apaixonado por outra, e estava feliz em ter notícias minhas, e e estava feliz pelo meu livro, feliz por mim, meu antônio querido, eu sabia. eu sabia.
eu sabia que seria assim, começando da metade, tudo de novo, aquele frio na barriga, o coração acelerado, o perfume no ar mudando tudo, deixando tudo mais bonito, fazendo de todos os dias um feriado, um dia de usar a roupa mais bonita, de arrumar o cabelo e pintar os olhos e cuidar a postura. porque eu sabia, tinha certeza que seria a mesma coisa, que ficaria aquela sensação de que nunca teria fim, nunca terminaria. porque não existe começo, não existe fim. não podemos fugir de nós mesmos.
porque eu sabia que depois de toda dor, de toda a seca, você me faria chorar de felicidade de nobo, com a palavra mais idiota, a coisa mais gratuita, você me faria chorar só porque ouvi a sua voz. só porque você existe, só porque você anda e respira e ama. não precisa me amar, não precisa ser comigo. saber que seu coração não pára, que você é capaz de amar, me faz querer viver só pra te ver bem, pra te ver feliz, brilhando como você tem que brilhar.
porque eu já tinha te perdoado antes de você pensar em perdão, e antes de qualquer coisa, eu sei que você não pede perdão porque aí dentro, você não errou, no seu mundo, você não errou, então eu te perdôo aqui no meu, seu sorriso faria qualquer jesus perdoar um milhão de judas quantas vezes fosse preciso para que ele voltasse a andar ao seu lado.
porque eu passaria por tudo de novo, morreria tudo de novo, secaria, murcharia. você é o que eu quero ver, você é para quem quero olhar quando estiver escorrendo sobre o papel. você é sagrado, você conhece os caras, você entende tudo e sabe sobre a florzinha no deserto, você conhece o filho da puta que não pára. e você faz o filho da puta bater tão forte que sou jogada para frente cada vez que teu nome aparece na minha vida. porque eu morreria por você, morreria feliz e orgulhosa. porque eu te preciso por perto, do meu lado, na minha vida, assim como preciso de ar, de água, de amor. nunca sem amor. outro amor, preciso de outro amor. porque você não é amor. você é o antônio, você é o que eu vejo quando olho no espelho, o barulho que ouço quando bato na parede da cela.
sentei e escrevi, chorei no teclado, as lágrimas regando meu rosto seco do ar sujo dessa cidade horrível, antônio, antônio, só você entende, só você sabe e sente como eu, não volta pra mim, só me escuta, antônio, estamos perdidos e sozinhos no mundo, não volta pra mim, fica perto, fica junto, fica com outras mas fica junto. nunca mais sai de perto de mim, sem você eu fico sem chão, sem ar, sem nada. cada dia que passa, me convenço que era você, que foi você o tempo todo, agora e sempre. que ninguém nunca mais será capaz de ser perfeito com tanta naturalidade, com todas as frases mais irretocáveis nos lábios o tempo todo, com toda a doçura de menino que eu nunca tinha visto e jamais verei de novo porque não existe nada como você, meu doce antônio. eu te amo tanto. não preciso mais ficar ao seu lado, sei que você não me ama de volta, sei que é inútil chorar ou pedir, mas é para você que eu vivo, então fica perto de mim, fico feliz que você esteja amando, meu antônio tão feliz com seu novo amor, meu antônio tão lindo brilhando e sorrindo, de pé, o peito inflado, meu antônio lindo, meu amor. te amo tanto que não te quero mais.”

clarah averbuck, vida de gato.

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fui encontrada.

a pessoa certa me encontrou. um dia, ela apareceu. assim, sem mais, nem menos. abriu a porta e entrou sem
sequer bater ou pedir licença. e, como se não bastasse, jogou a chave fora para que eu não pudesse expulsa-la. demorei meses para aceitar o fato de
saber que era ela. não acreditava, ou simplesmente não queria acreditar. me envolvi com outras pessoas, me afastei e fiz de tudo para fingir que era apenas
coisa da minha cabeça. mas chega uma hora que não tem mais como fingir, né? e depois de dois anos, explodi. aquele clichê de alma gêmea, sabe? foi bem isso.
aquela menina me completava como ninguém. era meu número exato, o drink perfeito que procurei em todos os bares e nunca achei, o livro perdido que nunca
encontrara. porém, ela me achou. do nada. e quando eu menos esperava. um dia surgiu na minha frente e me fez a pessoa mais feliz. só ela era capaz de me
acordar e eu não ter o rotineiro mau humor matinal, ou de fazer toda minha raiva/tristeza passar com apenas um “oi”. apenas a voz no telefone antes de
dormir, me acalmava como se fosse um calmante. e era, meu calmante natural. só aquelas ligações no meio da balada pra dizer que me amava, me levaram a felicidade
extrema. não posso dizer que foi amizade, paixão ou um simples amor. foi amor verdadeiro e puro, daqueles que não se encontra duas vezes na vida.
pena que, a pessoa certa é na verdade, a pessoa errada. pelo simples fato de, a pessoa certa, fazer tudo muito certo. e eu nunca quero coisas certas.
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você tem um novo e-mail.

onde foi parar aquela menina que eu me apaixonei? pra onde foi aquela ingenuidade,
aquele olhar de crianca? não te vejo mais assim. não vejo mais alguém que pense em
“nós”, mas sim alguém só pensa em si. não foi por essa menina que eu chorei noites
e perdi o sono.
se hoje não te amo mais é por não saber quem você é. amo aquela menina que me fez a
pessoa mais feliz, que ninguém vai conseguir fazer. amo aquela que fez o tempo parar
e que me mostrou a felicidade que eu até então não conhecia.
mas dessa? dessa de agora, eu não gosto. eu não amo.
só nós duas sabemos o que queremos e eu sei que isso você ainda não esqueceu. você
ainda sabe o caminho, ainda sabe os motivos, mas você parou e não faz nada por isso.
e eu já cansei de tentar, de falar, de pedir, de até implorar. então se você quiser,
tenta. e me mostra que pelo menos tentou, demonstra que você sabe o que quer.e demonstra
que você realmente mudou, e que isso que você é agora… é só por não saber ser como
era antes. ou me mostra que o que você se tornou, é melhor do que era. mas não me mostra
o que você acha que é o melhor, me mostra o melhor verdadeiro. aquele que a gente sente
aqui dentro, e só a gente sabe. porque esse seu “mudei e pra melhor” eu não aceito.
e tanto eu quanto você sabemos que essa aí não é você e nunca vai ser. então pare de fingir
ser alguém que você não é. cresça. e se não crescer por nós duas, cresça por você mesma.
e entenda, que quando eu digo crescer, não é ser adulto chato, não é ser a pessoa certa. é
apenas agir da forma correta. e se agir da forma errada, arcar com suas consequencias.
sei que eu fui grossa, que essas palavras doeram em você, da mesma forma que doeram em
mim enquanto sairam. queria nunca ter que te dizer isso, mas tive. e sei que cedo ou tarde,
você acabara entendendo o que quero dizer.
– 2006.
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