realidade

a gente tenta.

a gente não desiste. a gente não desiste de tentar de novo , não desiste de tentar esquecer, não desiste de tentar voltar, nem de tentar nunca mais olhar. a gente se pega comentando com um amigo que “ainda ama” com aquele sorrisão no rosto e felicidade escrito na testa, ou que “ainda dói”, com um mar de lágrimas no rosto e a maior cara de triste que a gente consegue fazer mesmo sem querer.
a gente fica no mesmo ambiente, e passa pelos mesmos lugares que passamos juntas,tentando viver e dizer que não dói mais. a gente pára naquelea árvore que era nossa durate um instante, e depois volta a caminhar, pra fingir que não doeu a passada por ali.

mas sempre vai doer. e a gente sempre vai tentar. seja tentar esquecer, ou tentar voltar. um dia vai nos fazer rir, e no instante seguinte, nos fazer chorar.

e aquela história de que o tempo cura tudo? pode ser, mas ouvi dizer que dor de amor, nunca teve remédio.

bom, deixa estar.

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a visita do tédio e da insônia.

o tédio chegou de viagem. fazia tempo que ele não vinha me visitar, e quando aparecia, eram aquelas visitas bem rápidas que a gente mal nota que ele passou por perto. dessa vez ele chegou avisando que veio dormir comigo, com uma cara sem vergonha bem típica. já senti que ia vir bomba pra cima de mim e aproveitei pra acender um cigarro e descarregar o cinzeiro. NA MOSCA! ele não veio sozinho, demorou algumas horas, e a insônia, sua QUERIDA INSUPORTÁVEL mulher, bateu na porta. o tédio, sempre muito esperto, disse que nem sonhava que ela sabia da visita de hoje. sendo que antes do tédio chegar, eu tinha conversado com o depakote, a sertralina e a amiptrilina. o depakote me prometeu manter a bipolaridade bem longe, a sertralina disse que brigou feio com a depressão e que elas nem tinham chance de uma reconciliação, e a amiptrilina me deixou o medo. ela disse que andava meio desanimada e querendo ir dar uma volta, já que ela sentia que tinha parado de funcionar. pedi, implorei, me ajoelhei, mas ela só resolveu ficar quando eu chorei de desespero por ver ela partir. aí ela voltou e me prometeu uma noite de sono. foi só o tédio chegar que ela saiu correndo, no maior estilo maratonista. e eu com cara de “o que será que aconteceu”… só fui entender quando a insônia chegou. uma vez, há muito tempo atrás, elas brigaram muito feio e decidiram falar pro sistema nervoso central que ele tinha que escolher entre uma e outra, que nunca poderia ter as duas juntas. e desde então, elas nunca mais se encontraram. quando uma sente que a outra vai chegar, sai correndo. o depakote já entrou em pânico, a sertralina resolveu ir dormir e eu chamei o rivotril pra expulsar a insônia. mas ela chegou determinada a ficar. o tédio puxou uma cadeira e sentou do meu lado, enquanto a insônia conversava com meu coração pra entender o que estava acontecendo com ele. o coração, que é filho adotivo da insônia, resolveu ter uma conversa de mãe pra filho. disse que sentia saudade da mãe, que morria de saudade da vó, chamada nostalgia e que até da tia chamada depressão, as vezes ele sentia uma pontinha de saudade. a insônia queria saber mais e falou que ele era amado por todas elas, mas que elas haviam ido viajar e não sabiam a data do retorno. coração então, resolveu se abrir. tédio viu que o assunto tinha começado a ficar sério e foi logo fechando a cara. coração contou que havia subido uns degraus algum tempo atras e que agora andava nas alturas, e por isso, estava com medo de cair e se machucar. e como em quase todas as vezes que ele sobe uns degraus, por mais que sejam dois ou três, ele se machuca, resolveu desenvolver uma tática: havia começado a se preparar para cair da maior altura que já conheceu em toda sua vida. assim, estaria preparado para juntar seus pedaçõs quando chegasse ao chão. tédio deu um cutucão no coração, que olhando para a mãe, chorava desesperadamente. insônia disse ao coração que ele mal sabia ainda se ia cair. e foi então que coração respondeu, chorando de dor, que ele sempre caiu. e que durante uns bons meses, se permitiu não subir mais degraus, até agora, quando não conseguiu evitar. quando ele viu, estava nas alturas e não sabia mais o que fazer, por nunca ter aprendido a simplesmente descer degrau por degrau até chegar intacto ao chão. tédio ficou emputecido. não aguentava mais aquela história. começou a resmungar que coração sempre falava a mesma coisa e disse para a insônia que era hora de irem visitar outros amigos. tédio me deu tchau, prometeu voltar, mas disse não saber quando, e foi saindo. insônia ainda ficou um tempo. abraçou coração, tentou em vão, ensinar ele a descer, e então se despediu. também prometeu voltar e disse não saber quando. chegou na porta e olhou pra coração e eu, e me mandou cuidar do coração. prometi que faria tudo que eu pudesse, mas que não poderia fazer chamar o impossível, já que ele sempre se nega a me ajudar.
tédio e insônia foram embora, o céu começou a amanhecer. o depakote, a sertralina e a amiptrilina voltaram, meio tristes pela visita inusitada dos dois, mas felizes por saber que as vezes, eles nos fazem bem. e então, resolvemos dormir os 4, na mesma cama. coração continuou nas alturas, e se nega a voltar pro chão tão cedo, mesmo sabendo que pode cair outra vez.

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eu

me dá um tempo?

Tempo…
preciso do meu tempo.
Sou o tipo de pessoa que precisa de um tempo pra si, pra só então sentir que esta viva. Preciso de distância, caos, poluição, desordem, violência, velocidade, perturbação, dores, ruas sujas e fedorentas, lugares podres e som alto. Preciso de trânsito caótico e ruas atrolhadas de pessoas, preciso de multidão. Preciso saber que tudo gira sem parar a minha volta, mas que eu posso parar quando eu quiser, porque o mundo não gira em torno de mim. Essa sensação de eu girar em torno do mundo me acalma. O caos e a desordem me acalmam. Não sei viver de outro jeito, não sei viver sem isso. Não dá pra ser eu, sem isso. Vivo a base de tudo que me permite a auto-destruicao. Alcool, cigarros, riscos, velocidade, violência, desordem e tudo aquilo que minha mãe chama de coisas-com-energia-negativa. É, esses são meus combustíveis. Nasci assim, cresci assim e vou morrer assim. Não por querer, mas por eu ser isso. Por eu mesma, ser o caos. Sou viciada em mim mesma, admito. E agora, mais do que nunca, chegou a hora de ter o meu tempo. Um tempo só meu. Eu e eu mesma com um bando de desconhecidos que nada sabem de mim. Preciso daquela liberdade que eu perco quando vivo em lugares pequenos e claustrofobicos, cheios de conhecidos por todos os lados. Preciso sair do Show de Thuman e ir ali viver. Quero um tempo pra ser eu mesma sem que tenha que dar alguma satisfacao a alguem, um tempo sem julgamentos. Respirar aquele ar pesado de tanta poluicao e tomar banho de chuva acida no final da tarde, ficar horas no meio do transito tentando chegar a algum lugar que eu sequer faco ideia de onde fica e que lugar é, por gostar de sair sem rumo, sem saber onde estou indo. Quero aquelas caminhadas de maos dadas comigo mesma pelas ruas, ouvindo aquelas musicas que sao so minhas e de mais ninguem. Me distrair e quase ser atropelada ao atravessar a rua, por estar preocupada pensando em mim. Quero sumir. Se pudesse, sumiria durante anos, e talvez, nunca mais voltasse. Simplesmente sairia por ai a procura de mim mesma, sem avisar ninguem. Sei onde iria, por saber exatamente onde me encontrar.  Sei meu endereco completo e sei que nao é esse aqui, esse é o fake. Muita gente vive num endereco fake e se sente bem assim, essa gente que vive acomodada e tudo ta sempre bem ou sempre mal, essa gente que acorda de bom humor de manha, ou que vive reclamando de absolutamente tudo nas 24h do dia. Mas nao eu, nao consigo ser assim. E como sei meu endereco, vou ali me visitar. Em breve, vou me mudar pra dentro de mim mesma e ser completa. Primeiro eu, enquanto eu nao for completa, nao vou pensar em ninguem, querer ser de alguem nem nada. Tentei ser de outras pessoas, mas nunca consegui ser inteira de ninguem, sempre faltou um pouco de mim e eu tô indo atras desse pouco que ainda falta, porque demora para as pessoas se completarem. Um dia eu falei que so amo quem dorme comigo todas as noites de maos dadas, e me chamaram de egoista e egocentrica. Porra do caralho. Eu nao entendo essa gente que diz isso e consegue dizer “eu te amo” com tanta conviccao. Essa gente mal sabe quem é e vem me chamar de egoista. E equando eu falo que preciso do meu tempo, elas vem com mil pedras nas maos, me atirando todas de uma so vez, me colocando na parede com o dedo na minha cara dizendo que nao penso nas pessoas que me amam e eu deixo de lado em todas as vezes que eu resolvo desaparecer. É, elas estao certas nisso. Eu nao penso nas pessoas que eu deixo de lado e eu sempre desapareco, do nada. Quando olhar pro lado e eu nao estiver ali, nao se assuste porque é normal, estou apenas sendo eu mesma e desaparecendo. Alguns gostam de chamar isso de “fuga”, eu chamo de “encontro”. Só eu sei o que se passa comigo durante esse periodo e digo pra voces, é a melhor coisa do mundo. Por isso, eu vou ali no caos, na poluicao, na violencia. Fumar, trepar e beber, me encher de energia negativa, ser eu mesma, livre e feliz, num encontro comigo. Mas calma, eu ainda volto… não mais a mesma, mas volto. Só dessa vez, eu prometo voltar. Na próxima, eu fico. Eu e minhas outras pessoas, as que sao iguais a mim e as pouquissimas que vou levar comigo.

E a prova de que eu realmente me importo pra caralho comigo mesma? É só contar quantas vezes repeti a palavra “eu” no texto.

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