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peter pan.

um dia eu acordei e resolvi que ia ir embora, pra qualquer lugar. e avisei quem eu gostava, na última hora. achando que todo mundo tinha que entender minha maluca decisão de fugir não sei do quê, que nem eu entendia direito. na verdade, eu queria mesmo era fugir de mim. queria nascer de novo, longe de mim mesma. queria saber quem eu era, precisava me encontrar. tinha sede de mim. queria sentir que o sangue que corria nas minhas veias, era meu. e poderia ter feito isso de várias formas, sem precisar colocar numa caixinha as pessoas que eu gostava e que estavam sempre ali pra mim. poderia não ter me afastado de muita gente, poderia não ter fugido do que a vida aqui me reservava. poderia ter ouvido o que algumas pessoas diziam. mas preferi fugir, preferi me encontrar da maneira mais difícil e dolorida, preferi ouvir o que o diabinho aqui dentro falava, preferi pegar o caminho da esquerda, achando que ele era o certo. querendo que ele fosse o certo, torcendo pra que ele fosse o certo, dando o meu sangue pra ele ser o certo. mas voltei. voltei primeiro porque senti saudades. e voltei me sentindo fraca, sentindo que eu ainda não tinha me encontrado, não querendo ver o que era certo fazer. não querendo ouvir quando os outros me diziam pra ficar. teimosia. já dizia a tia suzana, lá do soe, quando eu era criança. dizia que essa minha teimosia absurda ou ia me levar longe, ou me deixar trancada. já dizia muriel, que eu tinha coragem de dar a cara a tapa pra o que eu queria, fosse certo ou errado. e eu dei. dei a cara e levei tapas, socos e pontapés. sangrei. até eu me encontrar. um dia eu abri uma porta e ao inves de ter um macaco, como nas pegadinhas da televisão, dei de cara comigo mesma. e entrei em pânico. senti medo. senti calafrios. tive febre, tive dor. era a estranha sensação de me ver. e ver que parte de mim, sabia o que era o certo. e parte de mim temia pelo certo. sempre fui pelo duvidoso. a dúvida e a inconstancia sempre me atrairam. talvez tenha sido o pânico de crescer, no maior estilo peter pan. a vontade incontrolável de ir pra terra do nunca. de não sair nunca mais dos 7 anos. o medo de virar adulta. então eu tinha duas opções: me abraçar, ou me largar de vez. num lápso de responsabilidade, me abracei e me grudei com uma super bonder imaginária. pra ter certeza que nunca mais iria desgrudar de mim mesma. então, voltei de novo. renovada. talvez mais suja, mas ao mesmo tempo mais limpa. mil vezes mais adulta e com a cabeça no lugar. pronta pra encarar a vida. querendo estabilidade, aquilo que eu sempre temi. voltei dizendo que eu tentei, e gritando aos quatro ventos que se não deu, é porque não era pra ser. e por alguns lados, sou muito grata por não ter sido pra ser. embarquei com um frio na barriga e a sensação de estar fazendo a coisa certa. chorei, pra deixar tudo de ruim para tras e cheguei de braços abertos para os abraços amigos. desembarquei pronta para abraçar o aeroporto e dar um beijo no primeiro pedaço de grama que eu visse. se antes eu era hiperativa, voltei calma. os opostos trocaram de lugar. e a vontade da vida adulta chegar, ficou quase que incontrolável. a vontade de ser alguém. e se no fundo, a vontade de querer ir pra terra do nunca ainda for encontrada pela minha eterna criança interna, dou uma bola e mando ela brincar sozinha. porque agora, meu brinquedo é a vida.

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